
Uma das manchetes do caso Escola Base
Março de 1994. A Escola de Educação Infantil Base, em São Paulo, sofre uma denúncia de abuso sexual contra menores. Mães desesperadas de alunos contatam a Rede Globo. Dá-se início ao escândalo que mais marcou a imprensa brasileira nos últimos 15 anos.
Durante dois meses, jornais, revistas, emissoras de rádio e tevê publicaram rotineiramente notícias sobre o Caso Escola Base apontando seis pessoas (dentre elas, pais de alunos e os donos da escola) como, indubitavelmente, culpadas. Toda a acusação baseou-se em fontes oficiais, além de pais de alunos e vizinhos da escola. Sem nenhuma investigação ou prova concreta os envolvidos no caso foram estampados como monstros. A história toda foi noticiada de forma bastante parcial e distorcida, mas muito enfaticamente. O resultado? Linchamento social dos acusados, depredação de suas moradias e da escolinha além de muito falatório.
Transcorridos os dois meses o inquérito foi arquivado com a conclusão de que os acusados eram todos inocentes. Friso: todos inocentes. Ficou nas mãos da mídia, a contadora da história, limpar o entulho esparramado pelos corredores da escolinha. Nunca a imprensa brasileira foi tão criticada (incluo aqui auto-criticada) como no Caso Escola Base.
O mínimo que se espera de um jornalismo relevante e confiável é a apuração dos dados. Em um trabalho investigativo, ou tratando assuntos delicados, é mais que necessária a apuração precisa das informações. Escutar os dois lados do fato, por exemplo, é imprescindível. No entanto, a ânsia pelo furo jornalístico, pela notícia de capa – pelo escândalo – acaba falando mais alto que a ética.
Presenciamos a era do entretenimento na qual a transgressão é prato cheio de qualquer meio de comunicação que mede sua aceitação através de vendas, ibope, enfim, através do alcance de seu produto.
A informação, na pós-modernidade, se confunde com o espetáculo. A credibilidade da informação pode até ser violada, mas a notícia não deixa de ser transformada em um grande show que envolve acusados, inocentes, repórteres, delegados, promotores…
É através da imprensa que a população, na maioria das vezes, molda a sua percepção do real. É praticamente impossível se isentar dessa responsabilidade. Não identificar contradições na investigação policial, nos laudos do IML ou nos depoimentos de crianças de quatro anos e suas mães, é, no mínimo, questionável.
O jornalista deve em seu cotidiano colocar em prática o bom-senso. O furo, a disputa pela audiência, a investigação são necessárias e saudáveis, mas não devem ser legitimadas quando de costas para a ética.
No Caso Escola Base as mea culpas da imprensa não foram suficientes para reestruturar a vida dos acusados já prejudicados financeira e psicologicamente. Há um enorme abismo entre as desculpas e o impacto das notícias. Durante todo o caso foi possível teorizar um anti-jornalismo debruçado em fontes contraditórias e nada profissionais, matérias sem crédito, acusações sem embasamento.
Em 2005, onze anos após o ocorrido, a Rede Globo foi condenada a pagar cerca de 450 mil reais para cada acusado no Caso Escola Base. Isso, sem dúvidas, mostra que o país protege o cidadão dos abusos da imprensa. Mas será isso suficiente? Os danos que ficam e a credibilidade que esvai são marcas muito mais profundas no caráter da imprensa nacional.
É papel do jornalista informar e isso inclui, sem dúvidas, noticiar denúncias. No entanto, prevalece a lei máxima do Direito Penal: “In dúbio pro reo” (Em dúvida a favor do réu, ou o nosso adaptado, “todo mundo é inocente até que se prove o contrário”). Não sendo assim a grande vilã da história será sempre a imprensa.
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Segue abaixo um documentário feito por estudantes de jornalismo da Mackenzie em 2004. Está em duas partes. Vale a pena assistir.
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junho 11th, 2009 as 17:53
junho 12th, 2009 as 3:23
Liberdade de Imprensa sim, abuso não.
junho 12th, 2009 as 10:11
Exemplos é que não faltam.
junho 12th, 2009 as 11:34
junho 12th, 2009 as 12:16
junho 12th, 2009 as 13:33
junho 12th, 2009 as 14:12
Concordo com sua desilusão. Sou publicitário e, apesar das distintas finalidades das atividades, vejo a falta de ética imperar neste setor também. Acredito porém, que você ainda não tenha aberto os olhos para a mais eficiente ferramenta para reverter esta frustrante realidade: a internet.
Acredito que a crítica à critica possui espaço e demanda, por pessoas que buscam uma sobre visão da mediocridade na imprensa hoje.
Molde esta ideia. Pessoas querem ouvir o que você tem a dizer.
junho 12th, 2009 as 20:02
junho 12th, 2009 as 20:36
fevereiro 3rd, 2010 as 13:59
Fica a lição, embora tardia e inoportuna!!
fevereiro 8th, 2010 as 21:24
Um péssimo exemplo da mídia brasileira e a nós estudantes uma lição de como não fazer um jornalismo sensacionalista e sem crédito.
Jornalismo decente é o que queremos!
junho 3rd, 2010 as 22:40
A Imprensa nacional não é e nunca foi a dona da verdade, muito embora queira demostrar isso em todos os fatos que publica.
Bem oportuna sua postagem. Parabéns!
Carinhoso e fraterno abraço,
Lilian
junho 14th, 2010 as 2:02
Eles são criados aqui, em famílias disfuncionais e sociopáticas. Eis a origem do jornalismo sociopático brasileiro. Pessoas amorais e com rigor científico nulo em suas investigações permeiam o meio jornalístico, oriundas de famílias brasileiras.
setembro 19th, 2011 as 15:07