No texto anterior, tentei mostrar por que os físicos dizem que não dá para ultrapassar a velocidade com que a luz corre no vácuo. Disse que era porque a energia tem inércia, inclusive a energia cinética (de movimento). E que essa inércia cresce ilimitadamente quando vamos chegando mais e mais perto da velocidade da luz. Assim, seria necessária uma força infinita, e também energia infinita, para conseguirmos acelerar um objeto até essa velocidade. Mas, no final, dei uma dica para se imaginar outras formas de se ultrapassar a luz.
Um truque maquiavélico é o seguinte.
a) Imagine agora duas naves espaciais bem velozes. Eu estou em uma delas, você na outra. Sua nave está aqui, no Brasil, e a minha está no Japão, do outro lado do planeta.
b) Você acelera sua nave até que ela tenha 99% da velocidade da luz (em relação à Terra).
c) No mesmo instante, eu acelero a minha nave na direção contrária até também 99% da velocidade da luz.
As duas naves vão, então, se afastando velozmente uma da outra, com nosso planetinha bem no meio. As duas na mesma velocidade em relação à Terra.
Agora, qual a velocidade de uma nave em relação a outra? Ahá! Temos que somar, não é? Então, 99% + 99% dá 198% da velocidade da luz! Conseguimos ultrapassá-la?!? Sinto desapontá-los: na relatividade, esta conta não funciona assim.
A culpa agora é do espaço e do tempo
E não funciona assim porque há uma outra conseqüência importante da relatividade, de que ainda não falei. Tem a ver com a natureza do tempo e do espaço. Normalmente, o tempo e o espaço nos parecem absolutos: o tempo flui da mesma forma para qualquer pessoa e o comprimento de uma régua é o mesmo para todo mundo. Nada mais natural.
Mas Einstein descobriu que não é assim. Se eu observar uma nave espacial com um telescópio, daqui da Terra, tudo me parecerá correr mais devagar lá dentro (caso eu consiga espiar pela sua janela), inclusive o correr dos relógios. É o que se chama dilatação do tempo. É o fluxo do próprio tempo que é atrasado. Mas, para o astronauta no foguete, tudo parecerá normal. O fluxo do tempo é relativo a quem observa, da mesma forma que velocidade é relativa.
Além disso, a nave inteira (e tudo o mais lá dentro) me parecerá mais achatada. É o que se chama contração do espaço. E quanto maior a velocidade da nave em relação a quem a observa (no caso, eu), maiores serão esses dois efeitos. Normalmente, eles são muito pequenos (por isso, não foram observados antes do século XX). É preciso velocidades próximas à da luz para se tornarem apreciáveis.
Acontece que velocidade é um conceito que depende do espaço e também do tempo. Pois, pelo modo como a medimos – quilômetro por hora, por exemplo -, é possível perceber que ela mede nada mais que o espaço percorrido (quilômetros) em cada unidade de tempo (hora). Então a velocidade se comporta também de forma diferente na relatividade.
O resultado é que a velocidade das duas naves não poderá ser apenas somada! A fórmula é mais complicada do que isso e o resultado será menor que a soma. No exemplo acima, das duas naves, a velocidade de uma em relação à outra será de “apenas”… 99,995% da velocidade da luz.
Repare que ainda é um pouquinho mais lento que a luz. A fórmula para composição de velocidades da relatividade é tal que o resultado sempre será menor que a velocidade da luz. Se as duas naves estiverem a 99,99% da velocidade da luz em relação à Terra, a velocidade de uma em relação à outra, feitas as contas, será de 99,999999995% da da luz. E assim por diante. Infelizmente, o “truque maquiavélico” não deu certo.
Então, tudo que aprendi está errado?
Tudo isso é radicalmente diferente do que estamos acostumados com a física “tradicional”: nela, a inércia, o tempo e o espaço independem da velocidade. Na relatividade, não. Então, a física que aprendemos no colégio está errada?! Não é bem isso. Ela é uma aproximação da relatividade. A relatividade é mais exata, mais precisa. Mas, na maioria esmagadora das situações, não precisamos usar a relatividade e a física clássica funciona perfeitamente bem. Até mesmo os astrônomos usam a física clássica para projetar foguetes e sondas espaciais.
Quer saber mais sobre a teoria da relatividade, num texto para não-físicos? Tente aqui:
http://afisicasemove.blogspot.com/2009/02/o-que-e-teoria-da-relatividade-especial.html
Roberto Belisário
http://afisicasemove.blogspot.com
O Roberto Belisário é um leitor do CURIOFÍSICA e nos enviou tal matéria. Se você também deseja participar do nosso blog basta entrar em contato conosco através do formulário clicando aqui










fevereiro 6th, 2011 as 6:09
Vamos na realidade é viajar no tempo !
Se há muitas estrelas que a sua luz que hoje avistamos é coisa do passado, que até podem ser corpos celestes extintos, se nos dirigirmos em sua direção, estaremos viajando ao passado, podendo até encontrar esse corpo celeste ainda existente.
Porém ao retornar: o tempo aqui em nosso Planeta pode ter passado séculos à frente ?
Isso seria simplismente como adiantar ou atrazar os ponteiros de um relógio.
março 6th, 2011 as 6:00
setembro 24th, 2011 as 19:21
Rogelio de Mairiporã ( urograndisrrd1@gmail.com )
setembro 28th, 2011 as 3:23
setembro 28th, 2011 as 3:33
novembro 20th, 2011 as 18:12
dezembro 5th, 2011 as 13:50
para alcançarmos , ate logo
janeiro 5th, 2012 as 1:54