As discussões que surgem quando o tema é aborto ou uso de células-tronco para fins terapêuticos são calorosas. Elas surgem justamente por não existir uma resposta clara acerca de quando a vida humana começa. Há diversas visões do assunto e o intuito deste texto é justamente comentar sobre algumas delas de modo imparcial e sem envolver questões éticas e religiosas.
Para nos situarmos, antes é bom ter em mente que no Brasil a Lei de Biossegurança n° 11.105 permite o uso de embriões humanos produzidos por fertilização in vitro para a pesquisa, contanto que eles sejam considerados inviáveis, estejam congelados há 3 anos ou mais e que haja consentimento dos pais para o uso. Esses embriões possuem 5 dias quando são congelados. Em relação ao aborto, ele é considerado como ato criminoso contra a vida em nosso País, exceto nos casos de estupro ou gravidez com risco de vida à mãe. Os abortos podem ocorrer em diferentes períodos de gestação, sendo que já foram relatados abortos com fetos de até 26 semanas.
O primeiro ponto de vista a ser apresentado considera que a vida não tem um início marcado. Os óvulos e espermatozóides seriam considerados tão vivos quanto outros organismos e dessa forma métodos contraceptivos, como a camisinha, seriam proibidos.
Outra visão sobre o tema considera que um novo indivíduo surge a partir da fertilização. Os genes dos pais combinam-se originando um ser com propriedades únicas. Sendo assim, métodos contraceptivos seriam permitidos.
Do ponto de vista neurológico, a morte ocorre quando há perda de atividade cerebral. Aplicando-se o mesmo raciocínio, a vida começaria com o início da atividade cerebral, que ocorre com cerca de 27 semanas a partir da fecundação. Essa visão foi proposta em 1992 pelos pesquisadores Morowitz e Trefil e segundo ela, abortos trimestrais seriam permitidos. Em 1982 e 1988, os pesquisadores Renfree e Grobstein, lançaram, independentemente, a visão de que a vida humana surgiria a partir do 12º dia após a fecundação, pois esse é o prazo limite para a ocorrência de gêmeos idênticos. Os gêmeos idênticos surgem a partir do mesmo óvulo fecundado e mesmo assim possuem personalidades diferentes. Então, métodos contraceptivos, pílulas do dia seguinte e agentes contra-gestacionais de até 2 semanas seriam permitidos.
Por fim, uma “visão imunológica” considera que a vida começa a partir do momento que o organismo consegue distinguir o que é próprio do não-próprio e isso ocorre próximo ao nascimento.
Como dito anteriormente, a intenção desse texto é apresentar alguns pontos de vista sobre o início da vida humana de modo imparcial. Cabe agora a você, leitor, concordar ou discordar das visões apresentadas e formar sua opinião sobre esse assunto tão polêmico.
Luciane Pivetta
Fecundação e Gravidez.
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abril 15th, 2009 as 13:57
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abril 25th, 2009 as 21:59
maio 2nd, 2009 as 21:35
maio 6th, 2009 as 15:46
novembro 27th, 2011 as 16:57